No aeroporto…

Com esse negócio de trabalhar com operações de neve – e viver no Brasil, acabei passando uma boa parte de minha vida dentro de aeroportos.
Nos saguões, lanchonetes, lojinhas de badulaques, cadeiras e sofás. E corredores, quilômetros de intermináveis corredores.
Aeroportos são muito parecidos, como os shopping-centers – no mundo inteiro, o camarada está sempre no mesmo Iguatemí.
Seja em Cingapura ou Denver, os aeroportos tem cara, cheiro, cor – e funcionamento igual, o que pode ser maçante mas facilita em muito os
movimentos do vivente.
Penso que a exceção seja o de Havana, mas aí já se entra no surrealismo, nada lá é parecido com nada.

Bem, esse nada-para-fazer de aeroportos me trouxe uma série de hábitos, alguns banais como ler livros e revistas, cochilar na pescoceira sansonite ou procurar todas as novidades tecnológicas de cine/foto/som nos freeshops. Encher o bucho de chocolate Lindt. Olhar aeromoças.

Mas um deles acabou ficando muito interessante, e me trouxe – segue trazendo – muita alegria e divertimento, e por isso passo adiante, pode funcionar para pelo menos mais um panaca que nem eu – e quem salva uma alma, salva o mundo, reza o Talmud.

Experimenta só : fica na sala de desembarque, olhando a chegada dos vôos. Atento às expressões e abraços, à verdadeira explosão de alegria num mesmo bat-local & bat-momento. É impressionante… alí estão reunidos sentimentos muito fortes, aqueles olhinhos apertados, os choros convulsivos, as mãos batendo forte nas costas, as faces coladas.
Muita emoção boa … nas palavras de meu avô “uma verrrdadeira hemorrrragia de prazerrr, chê !”.

Irmão, tú não acredita o que isso faz bem prá alma !

Faz a prova : próximo fim de semana, nada para fazer ( ahahahaha ) , momento de decisão do casal para as estupendas alternativas de a) Ida ao Bric XVIII/09 b) Brasileirão séries A e B + Libertadores, Gugú & Sexytime c) Ida ao Shopping MMCXXXVVII/09, não hesite : ruma com firmeza para o Salgado Filho, térreo, à direita. Encosta no vidro para ver a cara de quem recebe quem está chegando e a cara de quem vem caminhando aos abanicos para o encontro.
Olha também a cara do guarda, é bem engraçado.
Se tú não é de Porto Alegre ( azar o teu, ahahaha – brincadeirinha ) vai em Congonhas, Santos Dumont, Pampulha, não importa : tú não vai mesmo ter muito o que fazer no findi, deixa de ser preguiçoso e vai lá no teu aeroporto fazer a prova.

É muito legal, acredita, deixa qualquer um feliz, um incrível modificador de dia para qualquer um que o faça.
Teu celular deverá estar contigo, com certeza. Tira umas fotos, escondidinho, é como levar alegria engarrafada, para consumir depois em casa, dando risadas com a patroa. Com um borgonha de boa cepa e uns petisquinhos, umas musiquinhas, uns cheirinhos, velinhas, aquelas risadinhas vão levar àquilo que o Ayrton Senna chamou de ” conhecer de forma bíblica ” , brother.
Risadinha… bah, é foda.

Se funcionar prá tí, me conta después… podemos até formar uma Associação dos Frequentadores de Salas de Desembarque, com programação de shows, palestras de auto-ajuda, corais & cânticos helvéticos e… bueno, isso já é outra história.

Mas me conta se deu certo !

Beto Valle
20OUT2009